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A mediação escolar como nova perspectiva de solução de conflitos

A mediação está sendo descoberta por várias pessoas e buscada como meio de resolução de variados tipos de conflitos. Cresce assim, o estudo sobre os meios amigáveis de como resolvê-los, não se limitando apenas ao meio jurídico. Logo, crescente as discussões sobre os benefícios que a mediação proporciona, quando desenvolvida em especial no ambiente escolar.

 

O atual mundo que vivemos, com o avanço das tecnologias de comunicação e informação, grandes avanços são disponibilizados no cotidiano das pessoas, em seu modo de viver e de trabalhar. O que de um lado é sem dúvida fantástico, surge também a carência e a necessidade de olhar nos olhos, sentar frente a frente e iniciar uma conversa.

 

Cada dia mais, as pessoas estão rejeitando e criticando aquele que considera “desigual” e consequentemente nascendo desavenças que poderiam ser solucionadas no início, sem deixar se transformar em um conflito negativo. O fato é que constantemente tentamos evitar qualquer que seja o conflito, pois entendemos que esta seja a melhor solução.

 

É necessário reconhecer que a todo o momento nos deparamos com situações em que os nossos interesses, objetivos e sentimentos divergem das outras pessoas. E nessa situação de oposição em relação à outra pessoa pode surgir um conflito. O conflito será positivo ou negativo dependendo de como o enxergamos. Podemos enxergá-los de uma forma racional, diminuindo os seus efeitos negativos e aumentando os positivos. Um bom começo é aceitar que cada pessoa tem interesses e necessidades diferentes e que estas diferenças não refletem necessariamente em um problema.

 

Surge, assim, a necessidade de se construir novos entendimentos, aprendendo a dialogar com respeito perante as diferenças do outro. E a escola, por ser um lugar frequentado por pessoas com diferentes particularidades, sejam elas os pais, os professores, funcionários e os próprios alunos, é um ambiente proveniente ao surgimento de conflitos. É vital saber conduzir os problemas que surgem, para não atrapalhar o desenvolvimento e o progresso dos alunos e da instituição como um todo.

 

Posto isso, nada mais apropriado de iniciar um trabalho de mediação nas escolas, ensinando aos alunos e aos envolvidos no meio escolar, a serem menos individualistas e insensíveis ao próximo e aprendendo a olhar todas as diferenças com respeito, promovendo uma cultura de diálogo e de paz.

 

Ramón Heredia1 (1999, p. 35), apud SALES e ALENCAR, relata que a história da mediação de conflitos escolares surgiu há cerca de trinta anos por estudiosos da resolução de conflitos; por grupos comprometidos com a não violência, como a igreja Quaker; os oponentes da guerra nuclear; membros do Educators for Social Responsability (ESR) e advogados.  O autor destaca que no início dos anos 70, nos Estados Unidos, foram implementados os primeiros centros de justiça de vizinhos, conhecidos como Programa de Mediação Comunitária, oferecendo um espaço onde os cidadãos pudessem se reunir e resolver seus conflitos. Esses centros obtiveram um grande êxito e posteriormente se estenderam pelos Estados Unidos. E na década de 80, o sucesso das atividades do programa de mediação comunitária foi levado para a escola, com o objetivo de ensinar os estudantes a mediarem os conflitos com os seus colegas.

 

Independente da modalidade de mediação de conflitos, as partes são convidadas a serem protagonistas da sua própria vida, a se responsabilizarem pelos seus atos, administrando os seus conflitos, sem transferir essa responsabilidade para um terceiro solucionar. E iniciando este trabalho na escola, com a orientação de um mediador capacitado e especializado para tal, serão os alunos os protagonistas e gestores de seus próprios conflitos, aprendendo a administrar e solucionar de uma forma positiva as divergências que estão vivendo naquele momento dentro do ambiente escolar.

 

É importante reconhecer que o trabalho de mediação escolar não envolve somente os alunos e os conflitos que possuem entre si, mas sim um trabalho abrangendo toda a instituição. E nesse âmbito inclui todos os que fazem parte do quadro escolar e que tem relação com a escola e com o desenvolvimento de educação dos alunos. Isto porque um conflito pode ter sua origem e causas diversas do ambiente escolar, mas sendo expressado pelos alunos na escola.

 

Nesse sentido serão trabalhados os possíveis conflitos existentes entre os alunos, professores, pais e funcionários, prevalecendo sempre um espaço de diálogo, responsabilidade e respeito entre as partes envolvidas.

 

A escola pode encontrar na mediação uma maneira de modificar os conflitos, tentando mostrar aos alunos uma oportunidade de melhoria e aprendizado na sua vida escolar e pessoal.

 

Vários progressos vem acontecendo no mundo da mediação, e em relação à mediação escolar destaco um convênio2 entre o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ) e a Secretaria de Estado de Educação (SEEDUC), que foi firmado no início deste mês de março, para a instalação de núcleos de mediação em instituições de ensino do Rio de Janeiro.

 

Segundo o presidente do TJRJ, desembargador Milton Fernandes de Souza, “A mediação é um futuro e uma solução. Nossa sociedade é extremamente beligerante. Se conseguirmos outros meios de solução de conflitos e eles obtiverem sucesso, tudo se resolverá de forma avançada, como é feito em outros países”, concluiu.

 

Portanto, a mediação escolar poderá traçar novos caminhos, transformando relações e gerando uma modificação na vida de todos os envolvidos na escola. Um ambiente escolar saudável proporcionará uma maior motivação dos alunos e professores, melhorando o processo de ensino e aprendizagem, e como consequência uma diminuição dos conflitos.

 

Fontes:

1 SALES Lilia e ALENCAR Emanuela. MEDIAÇÃO ESCOLAR COMO MEIO DE PROMOÇÃO DA CULTURA DA PAZ. Disponível em:                                                    <http://gajop.org.br/justicacidada/wpcontent/uploads/MEDIA%C3%87%C3%83O-ESCOLAR-COMO-MEIO-DE-PROMO%C3%87%C3%83O-DA-CULTURA-DA-PAZ.pdf> Acesso em 11/03/2017.

 

2Disponível em: <http://portaltj.tjrj.jus.br/web/guest/cluster?p_p_id=portletassessoriaimprensadestfototexto_WAR_portletassessoriaimprensa&p_p_lifecycle=0&p_p_state=maximized&p_p_mode=view&_portletassessoriaimprensadestfototexto_WAR_portletassessoriaimprensa_jspPage=%2Fhtml%2Fview%2Fvisualizacao%2Fnoticia.jsp&_portletassessoriaimprensadestfototexto_WAR_portletassessoriaimprensa_noticiaId=43621>. Acesso em 12/03/2017.

 

Andreia Loth

23 de março de 2017

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